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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Aequilibrium - Torture Squad

A evolução musical sofrida pelo Torture Squad nestas duas décadas de estrada apenas atestam a competência dos caras em executar aquele Death/Thrash empolgante, cheio de vitalidade e muita paixão a cada nota executada. Apesar das constantes mudanças em relação ao posto de guitarrista, a sonoridade da banda já ganhou cara própria, independente de quem comandar as seis cordas. “Aequilibrium” marcou a entrada e saída de Augusto Lopes, que havia substituído Mauricio Nogueira logo após o lançamento do aclamado “Hellbound” e de sua tour subseqüente. Hoje, em seu lugar, está André Evaristo, músico já bastante conhecido no meio Metal.

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Mas, vamos ao disco. De início, temos “Generation Dead”, destacando os efeitos dos riffs, que parecem navalhas cortantes, e que ao longo da faixa vão ganhando velocidade, sendo a força motriz por trás de tanta porradaria. “Raise Your Horns” surpreende pela união dinâmica da “cozinha”, muitíssimo bem trabalhada, destacando as linhas criadas pelo baixista Castor, simples e eficientes, mas que completam a música com o vigor necessário, sem deixar furos. Buscando um lado ainda mais extremo e veloz, “Holiday in Abu Ghraib” é aquela típica faixa estonteante, talvez a mais rápida do álbum, ao lado de “Azazel”. Agora, o grande clássico, “174”, certamente não pode ficar fora de nenhum show dessa tour, e porque não, do repertório fixo da banda, já que é animalesca do primeiro ao último segundo! Para os mais atentos, pode lembrar um pouco “Chaos Corporation”, do último álbum, pelo fato de ser mais grudenta e com riffs exemplares.Conforme o disco vai rolando, algumas novidades são sentidas, como por exemplo, as influências de uma sonoridade mais contida, presente em “Storms”, de levada mais cadenciada, porém, mantendo o peso em primeiro plano. Seguindo a linha Blues, temos “Last Tune Blues”, infelizmente de curtíssima duração, mas que poderia ter sido mais bem aproveitada, já que muitos fãs de Metal gostam do estilo que deu origem a tudo o que existe hoje em dia. Afora as canções citadas, o álbum conta ainda com “Black Sun” e “The Spirit Never Dies”, além da regravação de “The Unholy Spell”.

Formação:
Vitor Rodrigues – vocal
Augusto Lopes – guitarra
Castor - baixo
Amilcar Christófaro - bateria
"Aequilibrium”
(Laser Company - Nacional)
Track list:
1. Generation Dead
2. Raise Your Horns
3. Holiday in Abu Ghraib
4. 174
5. Storms
6. Azazel
7. Black Sun
8. The Spirit Never Dies
9. Last Tunes Blues (Instrumental)
10. The Unholy Spell 2010 (Bonus Track)

domingo, 11 de setembro de 2011

Kairos - Sepultura

Em meio a uma profunda crise de identidade desde que Max Cavalera abandonou a banda na década de noventa, o SEPULTURA ainda não encontrou um novo e consistente rumo para a sua carreira de enorme sucesso internacional. Embora discos como “Dante XXI” (2006) e “A-Lex” (2009) não possam ser considerados obras desprezíveis, a verdade é que o grupo nunca mais conseguiu criar repertórios marcantes e intensos como os de “Arise” (1991) e de “Roots” (1996). O novo álbum, intitulado “Kairos”, não pode ser apontado como a obra definitiva sob a voz de Derrick Green, mas evidencia uma sobrevida – mesmo que rasteira – para o ícone do thrash metal nacional.
De certo modo, a contribuição do renomado produtor Roy Z (BRUCE DICKINSON e ROB HALFORD) pode ser apontada como a grande novidade de “Kairos” se comparado com os seus antecessores, sobretudo com “Nation” (2001) e com “Roorback” (2003). O grupo, que parecia pouco interessado em criar faixas encorpadas e agressivas, aparentemente apostava as suas fichas em uma sonoridade mais superficial e menos direta. Porém, as ideias do novo produtor remodelaram o thrash metal do SEPULTURA a partir de uma ótica mais crua e pesada. Por mais que não conquiste o status de obra clássica e/ou de grande surpresa do ano, o novo álbum de Derrick Green (vocal), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Jean Dolabella (bateria) é – sem sombras de dúvidas – a melhor coisa que o conjunto escreveu na última década. Em pouco mais de quarenta e cinco minutos, a pegada característica da banda reparece com praticamente com o mesmo impacto de outrora.Com muita simplicidade (mas sem abrir mão dos riffs pesados), “Spectrum” abre a nova empreitada de Andreas Kisser & Cia. sem muito impacto, ainda mais se comparada com as demais faixas do disco. Em contrapartida, “Kairos” pode ser apontada como o ápice do repertório por toda a sua agressividade. O grupo, que pouco vem explorando as referências da música brasileira nos seus registros mais recentes, precisaria mesmo compensar a ausência da originalidade de outrora com músicas mais encorpadas e violentas. O peso característico da fórmula do thrash metal ainda se desdobra em outras e interessantes faixas, como “Relentless” e “Dialog”. No entanto, “Just One Fix” – cover do MINISTRY – não pode não ser mencionado como outro destaque à parte da obra.
Por mais que apresente uma série de boas ideias como recheio, “Kairos” se ressente da ausência de músicas capazes de vencerem a barreira do tempo e do esquecimento. Não há dúvidas de que o novo álbum do SEPULTURA se sai consideravelmente melhor se comparado com o seus antecessores. Porém, faixas como “Seethe” e “Born Strong” não ambicionam muito dentro desse set-list criado pelo quarteto. De certo modo, a fórmula desgastada dos registros mais próximos reaparece pelas beiradas trazendo um pouco de modéstia ao álbum que tinha tudo para ser uma das principais novidades em 2011. O repertório, que inicia com os seus principais destaques, perde boa parte do seu impacto na metade para o fim. No entanto, a agressividade simples de “No One Will Stand” pode agradar boa parte dos fãs do conjunto, diferente da esquisita “Structure Violence (Azzes)”, um equívoco parecidíssimo com o que há de mais controverso nos trabalhos do SOULFLY.
Enfim, não há dúvidas de que o SEPULTURA  aparentemente reencontrou em “Kairos” a fórmula do thrash metal vigoroso de outrora. No entanto, o que falta para que a banda reconquiste o sucesso dos anos noventa parece muito distante ainda. O repertório pouco homogêneo evidencia a ausência de faixas verdadeiramente coesas e impactantes. Não há dúvidas de que os fãs certamente poderão se contentar com o mais recente álbum do conjunto. Porém, comparar o novo disco do quarteto com as suas obras clássicas é injusto e inadequado. De certa forma, o modesto trabalho que o grupo fez em “Kairos” é justamente o que estava ao seu alcance. Nada mais que isso.
Track-list:
01. Spectrum
02. Kairos
03. Relentless
04. 2011
05. Just One Fix
06. Dialog
07. Mask
08. 1433
09. Seethe
10. Born Strong
11. Embrace the Storm
12. 5772
13. No One Will Stand
14. Structure Violence (Azzes)
15. 4648

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Worship Music - Anthrax

O Anthrax sempre teve dois grandes diferenciais: os riffs monumentais do guitarrista Scott Ian e os vocais de Joey Belladonna. Joey, um frontman com um timbre tipicamente hard rock – e bem similar ao de Steve Perry, do Journey – cantando em uma banda thrash metal, foi um dos grandes responsáveis por levar o Anthrax ao topo do thrash norte-americano, ao lado dos companheiros de Big 4 Metallica, Slayer e Megadeth.
 Produzido pelo guitarrista Rob Caggiano, "Worship Music", décimo álbum do grupo, é o disco que os fãs estavam esperando. Essa é a melhor definição para as trezes faixas do trabalho. A banda soube unir a agressividade thrash dos primeiros álbuns com o caminho mais melódico que seguiu a partir de "Persistence of Time" (1990), indo de um extremo a outro de sua sonoridade.
Joey Belladonna é o principal destaque. Cantando maravilhosamente bem, o vocalista retoma o posto de onde nunca deveria ter saído e faz com que esqueçamos completamente John Bush, o seu antecessor e, inegavelmente, um grande cantor. O nem sempre lembrado Charlie Benante, um dos melhores bateristas do thrash metal, é outro que brilha intensamente no disco.
Apontar "Worship Music" como o melhor álbum da carreira do Anthrax não é um exagero. O disco está lado a lado com a trinca de clássicos "Among the Living" (1987), "State of Euphoria" (1988) e "Persistence of Time" como o ponto mais alto da discografia do quinteto. Isso, levando-se em conta o quão bom era o último disco do grupo – "We've Come for You All" (2003), ainda com Bush -, apenas atesta a altíssima qualidade alcançada por Scott Ian e sua turma.
Há momentos sublimes em "Worship Music". O primeiro single, “Fight 'Em Til You Can't”, é um deles. O mesmo acontece com “I'm Alive”, “The Giant” e na épica “Judas Priest” - um tributo à lendária banda inglesa. Mas nada se compara à excepcional “In the End”, onde a banda homenageia os falecidos Ronnie James Dio e Dimebag Darrell. Sem dúvida alguma, uma das melhores composições da história do Anthrax.
O melhor álbum da banda em vinte anos, "Worship Music" já é presença garantida na lista de melhores de 2011. Agora é esperar que o disco seja o início de um período de estabilidade para o Anthrax, e que o grupo engrene uma sequência de trabalhos com esse line-up. Não apenas os fãs querem isso, mas, principalmente, a banda merece algo assim, afinal estamos falando de um dos nomes mais originais e influentes não apenas do thrash metal, mas da música pesada como um todo.
Faixas:
Worship
Earth on Hell
The Devil You Know
Fight 'Em Til You Can't
I'm Alive
Hymn 1
In the End
The Giant
Hymn 2
Judas Priest
Crawl
The Constant
Revolution Screams